1. Com a determinação de alcançar
O bem supremo em benefício de todos os seres
sencientes,
Mais preciosos do que uma jóia mágica que
realiza desejos,
Vou aprender a prezá-los e estimá-los no mais
alto grau.
2. Sempre que estiver na companhia de outras
pessoas, vou aprender
A pensar em minha pessoa como a mais
insignificante dentre elas,
E, com todo respeito, considerá-las supremas,
Do fundo do meu coração.
3. Em todos os meus atos, vou aprender a
examinar a minha mente
E, sempre que surgir uma emoção negativa,
Pondo em risco a mim mesmo e aos outros,
Vou, com firmeza, enfrentá-la e evitá-la.
4. Vou prezar os seres que têm natureza perversa
E aqueles sobre os quais pesam fortes
negatividades e sofrimentos,
Como se eu tivesse encontrado um tesouro
precioso,
Muito difícil de achar.
5. Quando os outros, por inveja, maltratarem a
minha pessoa,
Ou a insultarem e caluniarem,
Vou aprender a aceitar a derrota,
E a eles oferecer a vitória.
6. Quando alguém a quem ajudei com grande
esperança
Magoar ou ferir a minha pessoa, mesmo sem
motivo,
Vou aprender a ver essa outra pessoa
Como um excelente guia espiritual.
7. Em suma, vou aprender a oferecer a todos,
sem exceção,
Toda a ajuda e felicidade, por meios diretos e
indiretos,
E a tomar sobre mim, em sigilo,
Todos os males e sofrimentos daqueles que
foram minhas mães.
8. Vou aprender a manter estas práticas
Isentas das máculas das oito preocupações
mundanas*,
E, ao compreender todos os fenômenos como
ilusórios,
Serei libertado da escravidão do apego.
*As oito preocupações mundanas são:
Gostar de ser elogiado / Não gostar de ser
criticado
Gostar de ser feliz / Não gostar de ser infeliz
Gostar de ganhar / Não gostar de perder
Desejar ser famoso / Não gostar de ser
ignorado
Link com texto comentado por S.S. o Dalai Lama:
Oito Versos que Transformam a Mente
Coletâneas de textos retirados de grupos do facebook voltados para o desenvolvimento interior.
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Oito Versos que Transformam a Mente
quarta-feira, 5 de junho de 2013
sobre raiva
Matando a Raiva antes que Ela nos Mate
Na vida cotidiana não nos damos conta que convivemos com o pior dos ladrões.
Um ladrão comum pode roubar seu relógio, talvez não lhe roube todos os seus pertences; Se roubar todos seus pertences, talvez não roube sua vida;Se matar seu corpo, não poderá matar sua mente e suas vidas futuras; Um ladrão comum também não pode roubar nosso bom carma.
Entretanto, existe um ladrão que pode tudo, inclusive levar nossos bons méritos e oportunidades. Este ladrão é a raiva.
Buda Shakyamuni costumava comparar a raiva a um perigoso ladrão, a um incêndio devorador que destrói florestas de bons méritos e a um perigoso demônio. O abençoado disse que a raiva não deve ser cultivada pelos praticantes leigos, muito menos por monges, pois:
• A raiva é como um detestável ladrão por que rouba oportunidades. Com raiva a mente fica turva, as idéias confusas e as decisões desacertadas. Ninguém confia em pessoas que tentam resolver seus problemas com acessos de fúria. Quem assim procede cria má fama e perde excelentes oportunidades de realização, pois é prejudicado pela má reputação. Agir com raiva é plantar as raízes do descrédito, do erro e do arrependimento.
• A raiva é como um incêndio devorador, destruidor das florestas de bons méritos. Num acesso de fúria dizemos palavras ofensivas e agimos agressivamente, provocando desavenças ou tragédias. Com isso, podemos perder o emprego, destruir laços familiares, perder o convívio com bons amigos e a confiança dos demais. Algumas das pessoas atingidas pela nossa reação furiosa também queimarão de raiva e silenciosamente planejarão desforras ou vinganças e se não puderem nos atingir, poderão visar pessoas com as quais temos relação de afetividade.
• É como um perigoso demônio, por que num acesso de fúria, somos tomados por um momentâneo estado de demência e agimos como demônios enfurecidos. Seres humanos revoltados e furiosos, se não modificarem estas disposições, acabarão como habitantes do inferno. Quem cultiva a raiva, protege e sustenta seu pior inimigo!
Por que surge a raiva?
A raiva é a reação primitiva de descontentamento. Existem níveis de raiva. Vai das simples mágoas, ao ódio devastador. O fato de cultivarmos meros ressentimentos não significa estarmos imunes a raiva e suas nefastas conseqüências. Uma diminuta e insignificante brasa pode desatar um incêndio incontrolável.
“Uma cozinheira queria preparar um prato picante, mas receava não agradar a todos. Perguntou aos convidados se aceitariam uma refeição apimentada. Ouviu então diferentes respostas:- Eu adoro pimenta! - Eu detesto pimenta!
- Ah, para mim tanto faz!“
A cozinheira percebeu que para as pessoas, embora a pimenta fosse a mesma para todos, ela provocava diferentes reações nas pessoas. Os fatos da vida também são os mesmos para os seres, estamos sujeitos a desilusões, doença, velhice e morte, isso é natural, mas a reação a estes fatos inevitáveis difere de pessoa para pessoa. Os fatos são o que são, a raiva é opcional. Quando nos propomos a abandonar as causas do sofrimento, estamos declarando a raiva como o principal inimigo.
Quando a mente vê o mundo e as pessoas como posses haverá ai um grande problema. Quando as coisas não são do nosso jeito sentimos certa raiva, uma simples tristeza ou grande revolta, tudo isso são formas ou níveis de raiva.
Entenda que raiva é revolta. Outro dia alguém me disse que tristeza nada tinha haver com raiva. Isto é enganoso. Digamos que a tristeza é uma implosão venenosa, a ira é uma explosão de raiva, que embora seja dirigida aos outros, fere, acima de tudo, a nós mesmos.
Vida é movimento, perdas e ganhos são contingências inevitáveis. Se não podemos controlar o universo de que adianta cultivar raiva?
A raiva não faz o sol brilhar, mas faz o coração parar de bater;
Não cessa o frio, mas congela o coração;
Pessoas sábias e prudentes perdem a confiança em que tem é tomado de constantes acessos de fúria...
Mudanças são contingências da vida, para viver com saúde e longevidade é preciso cultivar o contentamento.
Buda recomenda não repousarmos enquanto a serpente venenosa dormita em nossos aposentos, para ele, a raiva é como uma serpente venenosa “aninhada” na mente não-iluminada. Flagrá-la saindo da toca é como ter a rara oportunidade de “pegar o bicho pelo rabo” . Superando a raiva e a ignorância, evitaremos que elas arruínem nossas vidas.
A IGNORÂNCIA DA RAIVA
Imagine-se andando com os braços carregados de compras do supermercado. Então, alguém grosseiramente colide, fazendo você e as compras caírem no chão. Assim que você se levanta da poça de ovos quebrados e massa de tomate, está pronto para gritar: “Imbecil! O que há de errado com você? Está cego?”.
Mas antes mesmo que possa tomar fôlego para falar, você vê que a pessoa realmente é cega. Ele, também, está esparramado na poça. Sua raiva some em um instante, para ser substituída por preocupação bondosa: “Você está machucado? Deixe eu te ajudar”.
Nossa situação é como essa. Quando claramente compreendemos que a fonte da desarmonia e dor no mundo é a ignorância, podemos abrir a porta da sabedoria e compaixão. Então, ficamos em uma posição adequada para curar a si mesmo e aos outros.
B. Alan Wallace, em “Tibetan Buddhism from the Ground Up”
Tricycle’s Daily Dharma, 30 de março de 2007.
[...] A raiva, definida como uma inundação da mente por sentimentos violentos e agressivos, que naturalmente leva à hostilidade e conflito, é SEMPRE condenável.
Mesmo a chamada raiva justa, tão frequentemente defendida quando tem a injustiça e o abuso como alvo, é totalmente condenável se isso envolve a perda do controle em uma onda de paixão incontrolável e destrutiva.
Com exceção de uma indignação puramente externa e artificial, com propósito educacional — que tem a compaixão como motivação e é representada por alguém com a mente sob controle — a raiva não tem absolutamente nenhum lugar no esquema do desenvolvimento espiritual.
Ela é totalmente maléfica ao treinamento da mente e irá arruinar e aniquilar em um instante todo progresso e mérito acumulado.
Grupo de tradução Padmakara
na introdução do livro “The Way of the Bodhisattva”
de Shantideva (Índia, séc. VII)
sobre o perdão
O perdão é uma parte essencial de uma atitude compassiva, mas é uma virtude facilmente mal compreendida. Para começar, perdoar não é o mesmo que esquecer. Afinal, se alguém esquecer um mal que foi cometido, não sobra nada para perdoar! Em vez disso, o que estou sugerindo é que encontremos uma maneira de lidar com os atos errados para termos paz mental e, ao mesmo tempo, evitar que caiamos nos impulsos destrutivos como o desejo de vingança.
[...] parte do que é requerido é uma aceitação de que o que está feito está feito. Tanto no nível individual quanto da sociedade como um todo, é importante reconhecer que o passado está além do nosso controle. O modo como reagimos aos atos errados passados, no entanto, não está.
Como já mencionei, é vital manter em mente a diferença entre o ator e o ato. As vezes isso pode ser difícil. Quando nós mesmos ou aqueles muito próximos de nós foram vítimas de crimes terríveis, pode ser difícil não sentir ódio pelos perpetradores desses crimes. Ainda assim, se pararmos para pensar sobre isso, compreendemos que diferenciar entre um ato terrível e seu perpetrador é na verdade algo que fazemos todo dia em relação a nossas próprias ações e nossas próprias transgressões.
Em momentos de raiva ou irritação, podemos ser rudes com pessoas amadas ou agressivos com os outros. Depois, podemos sentir remorso ou arrependimento, mas ao recordarmos de nossa explosão, não deixamos de diferenciar entre o que fizemos e o que somos. Nós naturalmente perdoamos a nós mesmos e talvez nos determinemos a não fazer a mesma coisa de novo.
Já que achamos tão fácil nos perdoar, certamente podemos estender a mesma cortesia aos outros! Obviamente, nem todos conseguem se perdoar, e isso pode ser um obstáculo. Para tais pessoas, pode ser importante praticar a compaixão e o perdão em relação a elas mesmas, como uma fundação para praticar a compaixão e o perdão para os outros.
“Beyond Religion”, loc. 842
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